quarta-feira, 20 de outubro de 2021


 A CIRURGIA CONTRA O MAL DE PARKINSON!         👨🏾‍🏫O primeiro diagnóstico da doença de Parkinson, disfunção neurológica conhecida pela perda progressiva de dopamina no cérebro, foi feito pelo Dr. James Parkinson em 1817. De lá para cá, muito se estudou sobre o problema. As informações de diagnóstico não mudaram muito, mas as estratégias de tratamento, especialmente as técnicas para cirurgia de Parkinson, tiveram substancial avanço. Mesmo sem cura, os procedimentos cirúrgicos contribuem de forma exponencial para a qualidade de vida dos pacientes. Para isso, compreender quais são as indicações da cirurgia de Parkinson e quais podem ser os impactos é relevante para optar pelo tratamento.


TRATAMENTOS PARA O MAL DE PARKINSON

Existem três vertentes para o tratamento da Doença de Parkinson:


👉🏾Medicamentosa;

👉🏾Reabilitacional;

👉🏾Cirúrgica.                                                               Os tratamentos para a doença de Parkinson são bastante eficazes – desde o uso de remédios até a cirurgia. Apesar da evolução da doença, a maioria dos pacientes consegue controlar alguns dos sintomas por meio da medicação oral. Mas, em alguns casos, o próprio remédio, em longo prazo, pode gerar efeitos adversos de piora dos sintomas do movimento, por exemplo. Para esses casos a cirurgia é especialmente indicada, tanto quanto para os que evoluem naturalmente com o agravamento dos tremores e rigidez das mãos.


O tratamento reabilitacional envolve atividade física para proporcionar autonomia ao paciente. Conforme a progressão da patologia, os exercícios podem ser supervisionados, mas é importante que a pessoa se mantenha ativa independentemente das dificuldades.


🤔ENTÃO COMO É FEITA A CIRURGIA PARA O MAL DE PARKINSON?

A cirurgia na doença de Parkinson tem o objetivo de controle sob o tremor e rigidez que acometem os membros superiores. O procedimento é chamado de Deep Brain Stimulation – traduzido como Neuroestimulação Profunda do Cérebro e consiste na implantação de eletrodos para modular os estímulos elétricos na região do cérebro afetada pela doença.


Com o paciente acordado, sob efeito de anestesia local, a primeira fase da cirurgia consiste em uma pequena incisão do lado direito e uma do lado esquerdo do crânio, para abrir espaço para o neurocirurgião alcançar a região afetada com os eletrodos.

 

  O paciente precisa estar acordado para que responda aos estímulos orientados pelo neurocirurgião, até que o tremor e a rigidez estejam estabilizados. É o momento em que o médico se certifica de que posicionou o eletrodo no local certo.


Em seguida, com o paciente dormindo, os eletrodos são conduzidos por um fio por baixo da pele para a fixação abaixo da região da clavícula. Ali, coloca-se uma bateria (igual ao marcapasso utilizado no coração) que funcionará como um gerador de sinais para os eletrodos dispostos dentro do cérebro.


O procedimento não lesiona estruturas do cérebro, sendo totalmente reversível, caso seja necessário. A recuperação é rápida – o paciente costuma receber alta em dois dias, com retorno ao consultório médico em uma semana.


O paciente consegue desfrutar dos benefícios da cirurgia a partir da consulta com o neurocirurgião para a retirada dos pontos, pois é neste momento que a bateria será ligada. As mudanças mais visíveis são redução da quantidade e da dose das medicações, controle dos movimentos involuntários e redução na intensidade da rigidez. A cirurgia não é curativa, mas minimiza os efeitos da doença na vida do paciente, que pode voltar a conseguir se alimentar sozinho, amarrar o sapato, abotoar uma camisa, e assim por diante.


ENTÃO QUAL O MOMENTO CERTO PARA REALIZAR A CIRURGIA CONTRA O MAL DE PARKINSON?

Muitos pacientes acreditam que para ser candidato à cirurgia de Parkinson basta ser diagnosticado. No entanto, existem algumas condições prévias para tal.


Em primeiro lugar, o indivíduo deve apresentar um quadro importante de comprometimento dos sintomas motores, mas não tanto a ponto de a cirurgia não ser mais efetiva. Essa condição pode se dar tanto pela evolução natural do quadro como dos efeitos adversos da levodopa (medicação de base para a doença).


Identificado que o paciente está apto a ser operado, o neurocirurgião realiza uma avaliação cognitiva e neuropsiquiátrica, pois em casos que há comprometimento cognitivo a cirurgia não pode ser realizada. Feito isso, é testado o nível de interação do paciente com a levodopa. Avalia-se o organismo do indivíduo sob uso e sem o uso da substância. Se quantificar o esperado (como se fosse uma espécie de pontuação), a cirurgia de Parkinson poderá ser realizada.

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 🤔QUAL A DIFERENÇA ENTRE PARKINSON E PARKINSONISMO?🤔

👨🏾‍🏫A doença de Parkinson se origina basicamente pela perda da capacidade de produção da dopamina no cérebro. Esta substância está relacionada às diversas funções do nosso organismo e cujas deficiências podem ser vistas em sintomas como tremor involuntário quando se está em repouso, rigidez, contrações musculares, dificuldade de marcha, lentidão dos movimentos, perda de expressão facial, da capacidade vocal, articulatória e de deglutição, além de alterações do sono, do olfato (redução ou perda), do humor (depressão) e do hábito intestinal (constipação intestinal).


Também podemos denominar a doença de síndrome parkinsoniana ou parkinsonismo. Trata-se de termos usados para classificar um grupo de doenças que apresentam causas diferentes, mas englobam os sintomas mais comuns do Parkinson, como tremor, movimentos lentos e rigidez. É por isso que a doença de Parkinson também pode ser chamada de parkinsonismo primário. Assim, podemos dizer que a patologia é um tipo de parkinsonismo, mas nem todo parkinsonismo é Parkinson.


PARKINSONISMO

Este termo é aplicado, principalmente, em estágios iniciais de distúrbios do movimento, quando o paciente apresenta os principais sintomas de Parkinson, mas ainda não há um diagnóstico confirmado.


QUAIS SÃO OS TIPOS DE PARKINSONISMO?

👉🏾Atrofia de múltiplos sistemas

Quando um ou mais sistemas do corpo param de funcionar. Dentro do parkinsonismo, especificamente, é o sistema nervoso autônomo que é prejudicado. Aqui, existe uma gama de sintomas que podem variar entre disfunções da bexiga, hipotensão ortostática, dificuldade para respirar, disfunção erétil, entre outros.


👉🏾Degeneração corticobasal

É o tipo de parkinsonismo com menor incidência. Entre os diferenciais da doença de Parkinson estão a perda de função em todo um lado do corpo, movimentos bruscos e involuntários parciais dos membros e problemas na fala. Em alguns casos, pode não ser possível usar o membro acometido, apesar de não apresentar fraqueza ou perda sensorial.


👉🏾Demência com corpos de Lewy

Como o próprio nome sugere, além de demência este tipo de parkinsonismo também causa deterioração progressiva das capacidades intelectuais e funcionais do paciente.


👉🏾Parkinsonismo secundário

Chamamos de secundário porque seu aparecimento não é idiopático, ou seja, é possível identificar a sua causa. Geralmente, a doença surge a partir do uso de medicamentos que interferem no nível de dopamina no cérebro. Os mais comuns são antipsicóticos, alguns bloqueadores dos canais de cálcio e estimulantes como anfetaminas e cocaína. Quando o paciente interrompe o uso da substância e os sintomas cessam se tem a confirmação do diagnóstico.


👉🏾Paralisia supranuclear progressiva (PSP)

Assim como os outros tipos, o diferencial aqui está em seus sintomas. Podem ocorrer perda de equilíbrio durante caminhada, que resultam em quedas inexplicáveis, esquecimento e alteração de personalidade.


👉🏾Parkinsonismo vascular

Ocasionado a partir de coagulações do cérebro após múltiplos pequenos AVCs (derrames), desencadeia tremor e rigidez.


😷👴🏻👵🏿DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DO PARKINSONISMO

Antes de iniciar qualquer tratamento é preciso diagnosticar a patologia. Somente com a identificação da causa é possível determinar a terapêutica.


Em alguns tipos de parkinsonismo o uso de dopaminérgicos pode ser eficaz. Para manter o tônus muscular, a força e a flexibilidade é recomendada a prática de fisioterapia e atividade física bem direcionada. Terapia ocupacional, fonoaudiologia, antidepressivos e toxina botulínica tipo A também podem integrar o tratamento. Não existe cirurgia para parkinsonismo, somente para a doença de Parkinson.

GERONTÓLOGO LÚCIO MONTEIRO DE CASTRO

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